Coby, retrato cinematográfico

O cinema pode ser algo extremamente pessoal, oferecendo oportunidades para reflexão pública sobre a intimidade de cada um. Por vezes, há algo de libertador na exorcização cinematográfica dos nossos demónios interiores, na glorificação fílmica da experiência e das provações do dia-a-dia.

Muitos são os artistas que têm descoberto essas possibilidades e as têm explorado no seu trabalho. No mundo das redes sociais em que vivemos, a documentação e curadoria do eu não é algo incomum, mas a expressão cinematográfica continua a ser privilegiada em termos de mérito artístico. Ambos estes mundos, o da autobiografia digital do Facebook e do Youtube, e o do ato cinematográfico colidem no trabalho de Christian Sonderegger, um realizador de documentários que, em 2007, levou um filme chamado “Coby” ao Festival de Cannes.

Passado no interior dos EUA, o coração conservador do país, as câmaras de Sonderegger encontram a figura titular, um jovem que, certo dia, anunciou no Youtube que ia começar o processo de confirmação de género através de tratamento de hormonas. Nascido Suzanna, Coby abriu as portas da vida ao olho curioso de um realizador que não só se interessa pela transição física e social do rapaz, como se predispõe a explorar as novas dinâmicas familiares que nascem desse processo.

Íntimo e revelador, “Coby” é um dos melhores filmes alguma vez feitos sobre as dores e maravilhas da transição de género. Há dor e preconceito, mas também há júbilo pessoal e afirmação na história deste jovem. Usando vídeos das redes sociais, filmagens casuais e entrevistas formais, Sonderegger construi aqui um retrato cinematográfico que todos deviam ver.

No circuito dos festivais, o filme recebeu grande aclamação e agora está disponível no SundanceTV On Demand. Pode subscrever ao serviço através dos operadores NOS e MEO, por apenas 2,99€/mês.

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