“Most Beautiful Island” de Ana Asensio em análise

O terror cinematográfico pode existir nas mais variadas formas. Em “Most Beautiful Island”, a cineasta espanhola Ana Asensio explora permutações psicológicas e sociopolíticas do terror.

A sua premissa parte de uma ideia base – a insegurança de uma imigrante ilegal a viver em Nova Iorque. Desse ponto de partida, esta realizadora, atriz e argumentista desenrola um sórdido conto de precariedade resvalada em situações infernais. A obra nem sempre se segue pelos cânones estilísticos do género do terror. Em termos estéticos, o realismo social orienta a construção de “Most Beautiful Island”, quer seja no uso de câmara ao ombro ou no naturalismo cru do seu elenco. A própria Asensio, que aqui atua como sua própria atriz principal, constrói o desempenho num constante apelo à resiliência estoica de uma mulher tão comum como desesperada. Não interessa o que vá ou não acontecer, esta é uma história de sobrevivência acima de tudo. Há que se sobreviver nas ruas e ao pranto do desemprego. Há que se sobreviver às humilhações constantes de um sistema capitalista destinado a oprimir os mais fracos. Há que resistir à mordida da aranha e às promessas venenosas de um Mefistófeles abastado.

Mais não diremos, pois este é um filme que deve ser experienciado sem spoilers a manchar a experiência. Fica só a promessa que “Most Beautiful Island” merece atenção, sendo uma caixinha cheia de surpresas, tão boa para sensibilizar como para aterrorizar o espetador insuspeito. Tal como muitos outros filmes de qualidade, a obra de Ana Asensio está disponível no serviço SundanceTV On Demand, por apenas 2,99€/mês na NOS e MEO.

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