“Virus Tropical”: Grande admiração feminista

Há quem pense que animação é só para miúdos. No contexto do cinema ocidental, isto pode ter sido verdade durante muitos anos, especialmente no panorama mainstream. Contudo, os ventos de mudança já se fazem sentir e já podemos ver como muitos cineastas usam o poder do cinema de animação para criar propostas artísticas que desafiam convenções e exploram temas que nada têm de infantil.

Veja-se a insurgência de propostas feministas que empregam a plasticidade da animação para explorar novas permutações artísticas. A adaptação de banda-desenhada autobiográfica merece especial menção. Em 2007, por exemplo, “Persepolis” de Marjane Satrapi causou furor, oferecendo uma visão íntima de uma rapariga a crescer no ambiente repressivo do Irão moderno. O filme chegou mesmo a conquistar uma indicação para o Óscar.

Mais de uma década depois, outros filmes semelhantes continuam a surgir. Gostaríamos de destacar “Virus Tropical”, uma obra latino-americana que também segue a ideia de animar um diário. Desta vez, contudo, trata-se da história da autora e artista colombiana Power Paola. Em primorosos gráficos a preto-e-branco, ela revela segredos da juventude e dá vida e voz às meninas que passam os dias a sonhar com um futuro incerto. Tão pessoal é o filme que muitos críticos se têm dividido entre elogios e reprovações. A beleza pictórica da produção é inegavelmente bela, mas a amorfia arrítmica da narrativa por vezes desagrada. Só que a vida é arrítmica e desprovida da estrutura limpa de um filme convencional. Nesse sentido, “Virus Tropical” é a vivência casual transfigurada em desenhos que se movem, em cinema puro, duro e transcendente.

“Virus Tropical” está disponível no SundanceTV OnDemand. Vem ver as maravilhas diarísticas de Power Paola. Acredita que não te arrependerás.

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